Os desafios empresariais sempre estiveram presentes na vida de Fabiano Martignago desde sua chegada a Embu das Artes ainda na infância. Sua trajetória, marcada por mudanças constantes, decisões ousadas e uma leitura apurada de oportunidades, transformou-o em um dos principais nomes do setor gastronômico da região. A história narrada pelo empresário evidencia não apenas sua evolução profissional, mas também o impacto de suas iniciativas na cena cultural, turística e econômica da cidade.
Origem humilde, primeiros trabalhos e a formação de um olhar empreendedor
De engraxate ao varejo: o início de uma postura inquieta
A vida de Fabiano começou em um contexto simples. Vindo do Sul com a família, cresceu com a percepção de que seria necessário construir seu próprio futuro. Ainda criança, encontrou na atividade de engraxate, na praça central de Embu das Artes, um meio para iniciar sua autonomia financeira. A vivência com turistas e comerciantes da região despertou nele uma compreensão precoce sobre trabalho e oportunidade.
Aos poucos, migrou para atividades mais estruturadas, como apanhador de bolinhas em um clube de tênis e posteriormente estoquista em uma loja de shopping. Essa experiência no varejo revelou uma habilidade natural para se adaptar, aprender e crescer. Em pouco tempo, Fabiano passou de estoquista a caixa e, por fim, vendedor. Sempre movido pela busca de mudança, tratava cada etapa como um degrau rumo a projetos maiores.
A escalada no comércio e o surgimento da visão empresarial e os primeiros desafios empresariais
Aos 18 anos, após acompanhar o fracasso de um empreendimento familiar no ramo de roupas, percebeu brechas no mercado de sua cidade e inaugurou sua primeira loja de apenas 20 m². A iniciativa modesta deu origem a uma rede de lojas voltadas ao público infantil, que se expandiu rapidamente e alcançou quatro estados brasileiros. Com apenas 32 anos, Fabiano já liderava um dos maiores volumes de compras de uma importante marca têxtil do Sul do país.
Essa fase consolidou sua filosofia de reinvestimento contínuo: a empresa deveria crescer antes que o empreendedor desfrutasse dos resultados. Segundo ele, em negócios, coragem e leitura de oportunidades — muitas vezes camufladas de dificuldades — são fatores determinantes para o sucesso.
A transição para a gastronomia e a reconfiguração durante a pandemia
Do varejo ao restaurante: experiências que moldaram o Grupo Cana
Paralelamente ao varejo, Fabiano adquiriu uma pastelaria vizinha à sua primeira loja, que estava prestes a encerrar atividades. Mesmo com um início quase nulo de faturamento, conseguiu transformá-la em um negócio rentável. O passo seguinte veio com a compra de um sítio inicialmente destinado a encontros internos com colaboradores. A estrutura ociosa chamou atenção para seu potencial comercial e, pouco depois, passou a receber eventos. O ambiente rústico inspirou a criação do Sítio Cana do Reino, um restaurante que começou com dificuldades, mas que se consolidou com público crescente, chegando a mais de mil almoços aos fins de semana.
A especialidade da casa, a costela de chão, tornou-se um dos elementos que definiram sua identidade gastronômica regional.
A pandemia, as perdas e os novos caminhos
Com a chegada da COVID-19, Fabiano enfrentou um dos momentos mais intensos de sua carreira. A rede de 20 lojas, construída ao longo de anos, reduziu-se drasticamente, exigindo cortes expressivos e a demissão de cerca de 400 funcionários. Para sustentar a estrutura que ainda existia, precisou vender imóveis e outros bens acumulados ao longo do tempo.
Foi no auge da crise que identificou uma nova oportunidade: o tradicional restaurante O Garimpo, em Embu das Artes, estava em dificuldades e foi colocado à venda. Mesmo diante de um cenário incerto, decidiu adquirir o negócio e investir em sua revitalização. O resultado foi um crescimento expressivo, marcado por recordes de faturamento.
Hoje, o Grupo Cana reúne o Sítio Cana do Reino, O Garimpo, a Casa Florida e O Caninha, consolidando-se como um dos principais polos gastronômicos da cidade.
Conheça os desafios empresariais de Fabiano Martignago na edição 14 do programa Papo com Marcos Torquato - disponível no canal da TeleObjetiva no YouTube
Valorização de equipes e protagonismo feminino
Fabiano nunca se formou em administração, mas afirma que a necessidade moldou sua capacidade de liderança. Em seus negócios, a presença feminina sempre foi marcante. No auge do varejo, 90% de sua equipe era composta por mulheres; na gastronomia, o índice chega a 80%. Ele reconhece o comprometimento, a força e a dedicação como pilares essenciais dessas profissionais.
Sua crítica ao imediatismo contemporâneo chama atenção: para ele, a busca por resultados rápidos compromete a capacidade de construir uma história sólida, algo que exige tempo, resiliência e continuidade.
Turismo, cultura e posicionamentos locais
A participação de Fabiano na política municipal surgiu da vontade de fortalecer o turismo de Embu das Artes. Ele acredita que a cidade possui características únicas que poderiam ser mais exploradas. Sua atuação atual junto à Secretaria de Cultura reflete esse compromisso.
Defende também mudanças no centro histórico, como a retirada do comércio de animais, que, segundo ele, impacta negativamente a imagem turística da cidade. Em seu entendimento, o espaço deve priorizar a arte, a cultura e as manifestações que já fazem de Embu um destino singular.
uma trajetória marcada por desafios empresariais e capacidade de reinvenção
A história de Fabiano Martignago ilustra a construção de uma carreira baseada em trabalho constante, percepção de oportunidades e enfrentamento de desafios empresariais em diferentes fases da vida. Da infância simples ao comando de um grupo gastronômico reconhecido, sua jornada se entrelaça com o desenvolvimento de Embu das Artes, contribuindo para transformar a cidade em referência cultural e turística. Sua experiência demonstra que a reinvenção é um processo contínuo e que, mesmo em cenários adversos, é possível alcançar novos caminhos por meio da persistência e da leitura estratégica do ambiente ao redor.

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